Um balanço das semanas de moda de Londres, Milão e Paris
Fim da temporada europeia de coleções para o inverno 2016 e chega a hora de saber o que você vai estar vestindo no segundo semestre - ou antes, caso queira adaptar algo já para a nossa estacão mais fria, no meio do ano. As diversas direções apontadas por Londres, Milão e Paris têm um denominador comum, que agrupa diferentes microtendências: o conforto de peças feitas para o já, para as ruas, com um styling falsamente desconexo que dá de ombros com os códigos que você acostumou-se a seguir. A GQ Brasil através da jornalista SYLVAIN JUSTUM fez um balanço bem bacana do que rolou por lá, eu andei olhando todos os sites, ig's e blogs de moda e com certeza é esse o supra sumo da estação, veja abaixo as principais tendências nas quais vale prestar atenção:
Pijamas, saídas de banho e aconchegantes tricôs de ponto ultragrosso saem de casa e viram base para produções casuais, descontraídas e sem vergonha. Um conjunto de seda lisa ou estampada vira um costume na Dolce & Gabbana, Gucci e Valentino, enquanto roupões graúdos, amarrados com generosos cintos, são o casaco da vez para a Fendi. A grife, aliás, fez do repertório de “roupas para ficar em casa” o fio condutor de seu desfile.
O styling de muitas grifes foca em sobreposições “inacabadas”, ou seja, nem tudo está certinho, arrumado. Botões saem abertos, camisas com a gola levantada, cintos de casacos arrastando pelo chão, uma camisa havaiana sobre um tricô, um casaco encasulado cobre um agasalho esportivo e por aí vai. É como se o sujeito tivesse vestido as primeiras roupas que viu pela frente ao perceber que o despertador não tocou e pôs o pé na estrada rumo a um compromisso. Repare nos desfiles da Burberry, Lanvin, MSGM e Fendi, por exemplo. A brincadeira derruba as velhas convenções e regras de vestimenta. É puro streetwear, derivado do normcore, e é bem divertido. Os resultados são surpreendentes.
Roupas desgastadas, puídas, furadas, com sinais de uso intenso são a nova mania das grifes de luxo. Tricôs estrategicamente detonados apareceram na Givenchy, MSGM e Maison Margiela, enquanto Thom Browne preferiu destruir seus impressionantes casacos. Na Prada, as golas deslocadas das camisas, os pea coats com marcas do tempo e de batalhas vencidas ajudaram a contar a história do desfile, mas também aguçaram a cobiça de clientes sempre em busca de renovação. Sem falar da Gucci e a viagem particular de Alessandro Michele ao baú dos anos 1970 para conseguir a imagem brecholenta carregada de vincos e amassados. Bem, desta vez, a novidade está no tratamento dados às roupas, em sua grande maioria peças clássicas revisitadas, e não mais em criações estapafúrdias que não vão às ruas e não mudam a vida de ninguém.
O slim - e o skinny - respira por aparelhos na Europa. Ele até apareceu em (poucas) passarelas, mas perde, de longe, a batalha contra as calças oversized folgadas, de pernas quilométricas desabadas sobre os calçados - sneakers, de preferência, ou modelos pesadões de derbys. Lembra quando te disseram que a barra precisa estar bem feita, rente ao calcanhar, sem amontoar tecido sobre os sapatos? Pois relativize essa máxima. Ermenegildo Zegna, Lanvin, Bottega Veneta, MSGM e até a sempre clássica Hermès têm as suas calças amplas, de boca generosa e gancho baixo. Conforto, lembra? O fenômeno começa a dar as caras nas ruas do velho continente também.
O homem que as grifes buscam hoje nunca está parado. Ele viaja, nem que seja virtualmente, por diferentes continentes e culturas, absorvendo elementos de cada lugar e aplicando isso em seu habitat urbano. A Issey Miyake foi da Mongólia ao Velho Oeste, sempre com foco em trajes confortáveis, excelentes tricôs e cartela de cores que oscila entre terrosos e pontos mais elétricos de laranja, verde ou azul - paleta da estação -; o western também inspira a Valentino, com foco maior na cultura navajo, a Givenchy, que faz coleção mais “adulta” e versátil mas usa botas “Santiags” cobertas de veludo com seus costumes, e a Dolce & Gabbana, com sua bem-humorada homenagem ao western spaghetti do cinema italiano. Kim Jones honra as tradições viajantes da Louis Vuitton com belo mix de utilitarismo com alfaiataria, enquanto a Bottega Veneta e a Etro escapam para as montanhas em busca de suas raízes.
O militarismo segue forte como universo inspirador da moda masculina atual. Tempos de terrorismo, talvez - o camuflado total em modelos encapuzados da Moncler deu o que falar em Paris -, mas, sobretudo, um infinito de possibilidades elegantes. E viris. Marinheiros na Prada, soldados utilitários na No.21, oficiais underground na jovem Études Studio, nova marca queridinha dos parisienses, duffle coat, parka e bomber na Salvatore Ferragamo - estas três peças são hit da temporada, em diversas coleções. Hora de bater continência e aderir à mania.
A década áurea de David Bowie vence a batalha com os anos 1990 e segue influenciando coleções importantes, desta vez com a estética glam rock. Paul Smith,Costume National, Gucci e Bottega Veneta são apenas algumas das marcas que adaptaram calças boca de sino, foulards no pescoço e blazers de grandes lapelas. Não se preocupe, a releitura não tem nada de literal.
O militarismo segue forte como universo inspirador da moda masculina atual. Tempos de terrorismo, talvez - o camuflado total em modelos encapuzados da Moncler deu o que falar em Paris -, mas, sobretudo, um infinito de possibilidades elegantes. E viris. Marinheiros na Prada, soldados utilitários na No.21, oficiais underground na jovem Études Studio, nova marca queridinha dos parisienses, duffle coat, parka e bomber na Salvatore Ferragamo - estas três peças são hit da temporada, em diversas coleções. Hora de bater continência e aderir à mania.
Entre terrosos e pontos vivos de cor aqui e ali, chamou a atenção o retorno das produções totalmente negras. A cor preferida dos fashionistas cobriu, com extremo poder, looks inteiros da Bottega Veneta, Hermès e Calvin Klein Collection, entre outros.









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