Limitar gêneros nas artes, na moda, na vida é passado!
Menino ou menina? Uma grande leva de artistas avessos a esteriótipos reforça que a sexualidade está em mutação.
Feminino ou masculino? Em março
deste ano, o Facebook deixou de apresentar apenas essas duas opções para os
usuários da rede no Brasil, abrindo seu espectro para outras dezenas de
definições de gênero, entre elas andrógino, travesti e assexuado. Na moda, só
se fala em gender-neutral, conceito que defende que o guarda-roupa dele e
dela pode – e deve – ser compartilhado. Apesar de não ser exatamente uma
novidade, a discussão sobre a liberdade de definir (ou não) o próprio gênero e
a sexualidade nunca foi tão atual, inclusive nas artes.
“Percebi que minha construção como mulher aconteceu a partir de estereótipos de feminilidade pré-estabelecidos, das revistas à minha própria família”, analisa Virginia de Medeiros. A artista baiana, um dos destaques da última Bienal de São Paulo, começou a tomar hormônios masculinos como parte de seu novo projeto, no qual propõe uma reflexão sobre a autonomia para criar o corpo que se deseja independente do gênero e da orientação sexual. “Hoje é insustentável reduzir o mundo à bipolaridade, ao verdadeiro e falso, ao homem e à mulher. Os valores baseados na lógica binária se esgotaram”, decreta.
“Percebi que minha construção como mulher aconteceu a partir de estereótipos de feminilidade pré-estabelecidos, das revistas à minha própria família”, analisa Virginia de Medeiros. A artista baiana, um dos destaques da última Bienal de São Paulo, começou a tomar hormônios masculinos como parte de seu novo projeto, no qual propõe uma reflexão sobre a autonomia para criar o corpo que se deseja independente do gênero e da orientação sexual. “Hoje é insustentável reduzir o mundo à bipolaridade, ao verdadeiro e falso, ao homem e à mulher. Os valores baseados na lógica binária se esgotaram”, decreta.
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| Aqui, a obra Mujer Barbuda (2011), do coletivo espanhol Rubenimichi. O trio de pintores cria personagens que misturam figuras humanas, animais e o universo fantástico (Foto: Reprodução e Divulgação) |
A canadense Heather
Cassils, que ganhou fama mundial depois de
aparecer aos beijos com Lady Gaga no
videoclipe Telephone, em
2009, também usa as fronteiras entre os gêneros como discussão central de sua
arte. Durante seis meses, fotografou as transformações que aconteceram em seu
corpo em função da musculação, alimentação e pela ingestão de esteroides para
discutir a dicotomia vivida por transgêneros entre sua imagem original e aquela
com a qual se identificam. “Meu corpo foi ficando cada vez mais andrógino, a
ponto de eu andar na rua e sentir o olhar das pessoas; elas não sabiam se eu
era homem ou mulher. Chocavam-se com a discrepância entre um corpo extremamente
masculino, mas que possui seios”, conta Cassils.
Confundir o espectador com sinais femininos e
masculinos coexistindo no mesmo corpo também foi uma das formas que o coletivo
espanhol Rubenimichi encontrou de
chamar atenção ao tema. Em suas telas, o trio de pintores cria personagens que
misturam figuras humanas a um universo fantástico.
Outro artista-chave da cena
é Zackary Drucker. Ao
lado da cineasta Rhys Ernst,
apresentou na última Bienal do Whitney Museum a sérieRelationship, na qual a dupla registra o dia a dia de sua relação
e a transformação de seus corpos em direções opostas – Drucker de homem para
mulher e Ernst de mulher para homem. “A sexualidade está se afastando de uma
definição engessada, dando maior liberdade para que as pessoas se movimentem
entre os diferentes papéis que desejam ocupar”, opina o artista.
“Estamos em constante mutação. Não podemos excluir nossa sexualidade desse processo ou fingir que ela permanecerá a mesma durante toda a nossa vida.” A famosa pergunta “é menino ou menina?” nunca esteve tão fora de moda.
“Estamos em constante mutação. Não podemos excluir nossa sexualidade desse processo ou fingir que ela permanecerá a mesma durante toda a nossa vida.” A famosa pergunta “é menino ou menina?” nunca esteve tão fora de moda.
O tema estã tão em alta que a Revista Galileu de Novembro/15 traz o tema para o debate e afirma: "Para estampar a capa desta edição tão emblemática, abordamos um assunto que ainda é tabu na sociedade brasileira - a identidade de gênero. Por que tanto preconceito e desinformação continuam rondando o tema? Isso e muito mais você encontra na #novaGALILEU. Daqui para a frente, nossa missão é usar a ciência para explicar o mundo e, acima de tudo, para te ajudar a mudá-lo."


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