Você não precisa ser especialista para apreciar um bom vinho, mas essas dicas vão melhorar sua experiência. Saiba aqui os cinco pontos básicos + benefícios para a sua saúde!
O time da Esquire foi consultar o time expert em vinhos do restaurante Alain Ducasse, no The Dorchester, para nos ajudar a bebermos mais e melhor. Ante aí cinco regras de ouro antes e comprar e tomar aquele tinto:
1. Na dúvida, coloque na geladeira
Se você já visitou uma vinícola sabe que a sensação térmica é mais para fria. Portanto, na dúvida e na ausência de uma adega cheia de frescura, mantenha os seus vinhos refrigerados. Só tenha certeza que eles não correm o risco de congelar.
2. Taças: menos é mais
Tem gente que, para impressionar, compra taças enormes — as companhias perfeitas para um vinho de muitos dígitos. Só que não faz o menor sentido. Taças espaçosas, que deixem o vinho respirar, funcionam em brancos e tintos, mas não precisam ser gigantescas.
3. Abridores não precisam ser complexos
Sim, existem ferramentas cheias de tecnologia para você tirar o rótulo e a rolha como quem abre uma garrafa de Coca-Cola com a ponta dos dedos. Mas elas não são fundamentais. Não tem nada demais cortar o lacre com uma faca e usar um abridor comum, e até a força dos seus joelhos, para tirar aquela rolha resistente de uma garrafa.
4. Anote os favoritos
Celular serve para isso também. Uma listinha dos últimos vinhos que você provou e gostou e a região onde ele foi concebido é uma mão na roda na hora de fazer compras ou ajudar o sommelier do restaurante a entender um pouco do seu paladar.
5. Pare de repetir que você não gosta de Chardonnay
Esse é só um exemplo. Em geral, as pessoas não curtem essa uva porque ela tem um gosto residual de carvalho acentuado, mas com a prática ele tem potencial para se tornar um dos seus vinhos favoritos. Os Chablis, por exemplo, são feitos da mesma uva, sem carvalho envolvido no processo. Portanto, experimente e não banque o eno-chato.
6. Não confunda mais: enólogo, enófilo, sommelier?
Morro de vergonha se algum conhecido desavisado me chama de enólogo. Normalmente, quando respondo que não sou enólogo, de pronto escuto que devo ser um sommelier. Não. Também não. Aceito ser tratado, se muito, de enófilo, para evitar o menos atraente “bebum”. Então, vamos esclarecer a cadeia de profissionais do vinho.
Viticultor é quem planta e cuida do vinhedo. Muitas vezes o viticultor é o proprietário da vinícola e também enólogo. Este ser duplo seria o vitivinicultor.
Enólogo é o profissional responsável por produzir o vinho na bodega. Recebe as uvas e toma as decisões técnicas cabíveis, tempos de fermentação, armazenamento ou não em barricas, etc. Este cargo exige formação complexa, que inclui estudo de agronomia e química. Existem cursos especializados (técnico e superior), mas nem todo enólogo é formado na escola.
Sommelier é o termo francês para denominar o responsável pelo serviço do vinho. Esse profissional cuida da seleção à compra dos vinhos de uma adega, seja de restaurante, hotel ou de um particular, e faz o serviço à mesa, por meio do qual ajuda o cliente a escolher o vinho apropriado ao paladar e ao bolso. Tudo pode ser feito com salamaleque ou não, a depender da ocasião.
Enófilo é o apreciador do vinho. Um amador que muitas vezes se interessa pelo assunto a ponto de tornar-se um especialista nele. Escreve livros, dá palestras, frequenta confrarias, degustações e feiras. Ele cumpre a função mais divertida da cadeia: ele bebe. Em geral, de maneira moderada e com um grau de apreciação mais elevado do que a média, graças a seus conhecimentos adquiridos e à prática. O único problema do enófilo é que ele corre o risco de se transformar no enochato.
Enochato é o mala que fala mais do que bebe, pontifica mais do que sabe e está em vias de se tornar um cervejochato (ou zitochato, para os eruditos), porque as cervejas especiais entraram na moda...
7. Café, morango, mel, asfalto…Tá no meu vinho?!
Fique tranquilo. Não colocaram frutas vermelhas, tabaco, asfalto, mel ou café no seu vinho. Quando alguém, seja um crítico ou um enochato, usa algum deste chamados “descritores aromáticos”, muitas vezes considerados esquisitos, está citando aromas que podem ser encontrados nos vinhos porque estes compartilham moléculas com várias outras substâncias presentes na natureza. Pense assim: a vitamina C existe em várias frutas e não só na laranja, certo? Muitas outras moléculas presentes no vinho também podem estar no café, no chocolate, na cereja, etc. É tudo baseado em cadeias de carbono que se repetem e se transformam. Um assunto árido para quem fugiu das aulas de química orgânica da escola... Recomendo o livro Taste Bud and Molecules, de François Chartier, que trata deste assunto de maneira clara.
8. Equilibrado
É comum designar um vinho como “equilibrado”. O vinho nada mais é que suco de uva fermentado, ou seja, que sofreu ataque de microorganismos (as leveduras) e com isso transformou parte do seu açúcar em álcool. Mas o suco resultante ainda possui água, ácidos e outros componentes, entre os quais se destacam os taninos. O tanino é o componente adstringente, que "amarra a língua", mais comum nos tintos. Ao colocarmos o vinho na boca, sentimos estes sabores todos (álcool, açúcar e taninos). Se em uma degustação um deles se destaca demais, dizemos que o vinho está desequilibrado. Pode estar muito alcoólico, muito tânico ou muito ácido, por exemplo. Estes excessos são sempre o motivo do desagrado ao paladar. Quando há uma integração equilibrada entre acidez, álcool, taninos e açúcar, o vinho tende a ser percebido como mais agradável. As exceções seriam os vinhos de sobremesa, nos quais se espera predominância de açúcar. Vinhos leves e frescos também puxam mais para a acidez.
9. Brancos, tintos e rosados
O líquido do vinho se origina da polpa da uva. A cor, assim como outros inúmeros aromas e sabores, vem da casca. Ou seja, em geral, uva branca faz vinho branco e uva tinta faz vinho tinto. Não dá pra produzir um vinho tinto somente com uva branca. Parece óbvio, mas, tradicionalmente, em algumas regiões da França e da Itália, usa-se uma pequena quantidade de uva branca na produção de vinho tinto. Ironicamente, alguns enólogos afirmam que a uva branca ajuda a fixar a cor da tinta!
Um vinho branco, pelo contrário, pode ser feito com uva tinta. Não é comum, mas há um interessante merlot vinificado em branco produzido pela Dunamis na Campanha Gaúcha, por exemplo. Para isso ocorrer, basta que a fermentação não seja feita em contato com as cascas, que liberam os pigmentos. Nos cortes mais tradicionais de Champagne, entram, além da chardonnay (uma uva branca), a pinot meunier e a pinot noir, ambas tintas.
O vinho rosado (ou rosé) pode ser feito basicamente de duas maneiras. Pela cuidadosa mistura de um vinho tinto e um branco ou pelo método de sangria, no qual se retira o mosto do contato com as cascas tintas após leve maceração, antes de liberar muito pigmento. A partir daí, vinifica-se como um branco.
Existem aproximadamente 9 mil castas de uva entre as vitis viniferas, apropriadas à produção de vinho, e as de mesa. Mas pode-se dizer que das quase 2 mil cepas adotadas no mundo vitivinícola, contam-se nos dedos as variedades utilizadas na enorme maioria dos vinhos produzidos hoje no mundo.
10. Guardar ou beber?
A enorme maioria dos vinhos produzidos atualmente pode e deve ser bebida em um prazo de até três anos. A enologia moderna evoluiu de modo a permitir que vinhos jovens não sejam mais "imbebíveis". Antigamente guardavam-se os vinhos jovens que tinham muito tanino e "amarravam" a boca com sua adstrigência. Os Bordeaux levavam 20 anos para "amaciar" os taninos.Técnicas como microoxigenação e uso de barricas, entre outras, aceleram este processo. Mas isto não quer dizer que alguns não melhorem muito se você aguardar mais uns anos. Algumas pessoas - e eu me incluo neste rol - preferem vinhos mais evoluídos. Mesmo aqueles de que não se espera muito surpreendem. Para evoluir bem, um vinho precisa ter uma quantidade interessante de um dos seguintes componentes conservantes: álcool, açúcar, taninos ou acidez (exemplo: o Vinho do Porto, que tem mais açúcar e álcool do que um vinho tranquilo).
Um vinho seco, seja branco ou tinto, jovem, leve, macio, sem muita acidez ou tanino, não vai ter estrutura para evoluir com os anos. Por outro lado um vinho jovem com muito tanino, álcool e acidez não é necessariamente desequilibrado. É muito tudo! É um exagero ao paladar. Sabe aquela pessoa jovem, saudável, mas meio desmiolada, sem estilo ou classe, tímida? Então. Você a reencontra 20 anos depois e ela está mudada, elegante, comunicativa. Isto porque tinha estrutura para evoluir. Mas, claro, depende daquilo por que passou e daquilo que aprendeu. No caso do vinho, depende muito do armazenamento e da conservação. Importante saber que na maioria das vezes os brancos secos são menos longevos do que os tintos.
Se o vinho estiver bem armazenado, protegido da luz, do excesso de calor e das mudanças bruscas de temperatura, abra quando der vontade. Dica: para saber se o precioso líquido passou do ponto, o principal sinal é a quantidade de líquido no recipiente. Ponha a garrafa contra a luz e observe o nível do vinho. Se estiver abaixo do “ombro” da garrafa, houve vazamento ou evaporação. Este contato com o ar é fatal. Leva à oxidação e o vinho perde o brilho, o vigor. Serve para cozinhar e olhe lá. Mas prove antes para ter certeza.
Benefícios
Os efeitos do consumo exagerado da bebida alcoólica podem ser os piores possíveis. Mas, quando apreciada com moderação, a saúde agradece, principalmente quando se bebe vinho tinto. Segundo estudo feito pela Universidade Ben-Gurion, em Israel, beber uma taça todos os dias, durante o jantar, pode diminuir os riscos de desenvolver doenças cardiovasculares e, especificamente, a diabetes do tipo 2.
Para chegar a esta conclusão ,
os pesquisadores recrutaram 224 voluntários que sofrem de diabetes tipo 2 e não
tem como hábito beber vinho frequentemente. Ainda foi pedido para que eles
tomassem três bebidas diferentes: água mineral, vinho branco seco, e vinho
tinto seco. Paralelamente, e sob a orientação de nutricionistas, os
participantes seguiram a dieta do mediterrâneo, regime conhecido por fazer bem
a saúde do coração e que combina os hábitos alimentares da região europeia.
Tudo isso sem restrição de calorias pelo período de dois anos.
Em seguida, periodicamente, os voluntários foram submetidos a questionários e exames de sangue que aconteceram no início da pesquisa, depois de 6 meses e após 24 meses de estudo. Assim, os cientistas puderam analisar os biomarcadores de controle glicêmico, lípidos e a função hepática de cada pessoa.
A partir daí, os cientistas perceberam que os apreciadores de vinho tinto aumentaram de forma significativa os níveis de HDL , o colesterol do bem, e, de quebra, ainda mantiveram o colesterol maléfico sob controle em comparação com o outro grupo de participantes que tomou as utras bebidas. Também foi relatado pelos pesquisadores que o vinho escarlate proporcionou a quem o bebeu uma redução nos componentes de síndromes metabólicas, além de uma melhor qualidade de sono do que os outros voluntários.
Segundo o estudo, não houve nenhum efeito adverso com qualquer participante da pesquisa.
Por GQ Brasil + Mr. JAZZY

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